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quinta-feira, 12 de março de 2009

A Verdadeira História da Chapeuzinho Vermelho


Conversando com os discentes do 4º Ciclo - Ano 1, surgiu uma questão sobre a origem da história da Chapeuzinho Vermelho. Como prometi, aí vai um texto para que nós entendamos que contos de fadas e parábolas tem função simbólica e arquetípica. Trabalham em prol da divulgação e explanação mais acessível do conhecimento, através dos recursos de linguagem, tais como a Metáfora. Não é a toa que chamamos Gaia (ou Géia) de "Mãe Natureza"... Pelo mito nós associamos quem nos criou (a Natureza) a quem nos criou ( a Mãe), de modo que fica difícil após entronizado esse mito destruir qualquer uma das duas... pois elas no nosso imagético se tornam uma... Segue a história da Chapeuzinho Vermelho que era contada nos momentos de iniciação púbere... Isso antes do século XVIII... O texto foi extraído do site http://forum.cifraclub.terra.com.br/forum/11/66075/

A primeira história escrita por Perrault era uma história para adulto, O capuz vermelho que acompanha a menina nas versões de Perrault e na dos Grimm, surge como símbolo da cor do sangue, da menstruação, cor da alma, da libido e do coração. O “Lobo Mau” na verdade é a figura de um homem. Só tempos depois os Irmãos Grimm alteraram seu conteúdo erótico e adaptaram às crianças numa época antes do século XVIII, ou seja, antes que a revolução burguesa modificasse o pensamento e o comportamento ocidental, e, portanto, modificasse a história bem mais próxima do que a conhecemos hoje. E aqui vai a verdadeira, contada por camponeses ao redor do fogo em noites de inverno europeu: “Certo dia, a mãe de uma menina mandou que ela levasse um pouco de pão e de leite para sua avó. Quando a menina ia caminhando pela floresta, um lobo aproximou-se e perguntou-lhe onde ia: Para a casa da vovó – ela respondeu. Por que caminho você vai, o dos alfinetes ou o das agulhas? O das agulhas. Então o logo seguiu pelo caminho dos alfinetes e chegou primeiro à casa. Matou a avó, despejou seu sangue numa garrafa e cortou sua carne em fatias, colocando tudo numa travessa. Depois, vestiu sua roupa de dormir e ficou deitado na cama, a espera. Pam, pam !. Entre, querida. Olá vovó. Trouxe para a senhora um pouco de pão e leite. Sirva-se também de alguma coisa. Há carne e vinho na copa. A menina comeu o que lhe era oferecido e, enquanto o fazia, um gatinho disse: Menina perdida! Comer a carne e beber o sangue da sua avó! Depois o lobo disse: Tire a roupa e deite-se na cama comigo. Onde ponho o avental? Jogue no fogo. Você não vai mais precisar dele. Para cada peça de roupa – corpete, saia, anágua e meias – a menina fazia a mesma pergunta. E cada vez, o lobo respondia: Jogue no fogo. Você não vai precisar mais dela. Quando a menina se deitou na cama, disse: Ah, vovó! Como você é peluda! É para me manter mais aquecida, querida. Ah, vovó! Que ombros largos você tem! É para carregar melhor a lenha, querida! (...) Até que ela perguntou: Ah, vovó! Que dentes grandes você tem! É para comer melhor você, querida! E ele a devorou”.

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