
Desde que me entendo por gente e que aprendi a discutir o movimento sindical, entendo que existem pessoas "experts" em deixar tudo como está usando discursos dos mais variados. Após grande labuta para a instituição do coletivo LGBT e das suas primeiras atuações, segui para Brasília-DF numa reunião com o diretor de direitos humanos da CNTE. Ao chegar encontro um articuladíssimo companheiro de outro sindicato localizado na região metropolitana do Recife. A reunião começa e em tudo o companheiro ressaltava o quanto as coisas estavam boas em seu sindicato. Sempre se colocando como sujeito atuante nas atividades e fomentador de situações de aprendizagem dentro da temática de gênero e diversidade sexual... Será mesmo?
Ressaltei a questão de se produzirem marchas, paradas e manifestos LGBT´s sem uma formação continuada e um trabalho ostensivo quanto a auto-estima em prol desse tão falado orgulho gay. Citei que as marchas ganham a cada momento uma conotação mais festiva e carnavalizada. “As festividades e atividades catárticas são fundamentais ao bem estar psicossocial, porém foi só para isso que surgiram as marchas que inundam as avenidas de todo o país?”, indaguei. Após efusivo discurso o caro colega se expressa, mostrando que tuuuuuuuudo está muito bem, que isso é um processo longo, que buscar fazer formação continuada é imediatismo e que é melhor ir despreparado/ desconhecedor para eventos desse tipo do que ser um acadêmico/ intelectual que não participa dessas atividades.
Faaaaaça-me o santo favor! Durante a discussão sobre o Kit Anti-homofobia o que mais se falou foi: “o Kit foi suspenso por uma questão meramente política, nada mais que isso”. Para os que concordavam “você foi muito feliz em sua fala”... Prefiro ficar triste! O kit tem questões antes não abordadas na sociedade. A quebra dos padrões de heteronormatividade, imagens de travestis dentro da escola e de garotas eroticamente aliadas, traz a tona realidade tão antiga quanto a humanidade, mas velada como os vexames dos fundamentalistas. Citei os vídeos do kit... Não existe problema nos vídeos. E é? Sociedade midiática e preguiçosa como se encontra a atual formação tupiniquim, deixa de ler textos escrito para ler telenovelas. A sociedade do clipe, do tudo rápido, da fácil digestão intelectual se angustia com os vídeos do kit, não por uma questão política, mas porque eles vêem muito mais que lêem...
Por mais uma vez o colega pede a fala e diz que tudo está bem e que tudo acontecerá ao seu tempo... Talvez como um passe de mágica aprendido em algum vídeo do youtube, acessado com o celular sindical e alguma das viagens avionescas em “representação sindical”... Certamente será sempre mais feliz nas falas do que possa imaginar.
Essa postura está muito em voga em todos os escalões do governo. Afinal de contas essa boa vizinhança, atrelada ao faz-de-conta das atividades sindicais e ao ganhar fama através do trabalho dos outros, magoa aos que carregam pianos para que escrotos da última instâncias executem melodias caducas e inseguras pelo resto da eternidade.


